Ouço, converso, observo, medito. Afinal, o que passa pela cabeça das mães de minha geração?

É tudo muito esquisito… Ninguém nasceu para ser mãe, mas todas são loucas para ser. Digo ser mãe no sentido braçal, trabalhoso e também prazeroso da coisa. Fomos criadas para sermos independentes de nossos maridos, a termos nossa realização profissional. Ser mãe, porém, é muito complicado. Minha geração não consegue ficar em casa cuidando de filhos. Precisa de um time para criá-los. É necessário uma empregada para as tarefas domésticas, uma babá para cuidar do bebê, e porque não uma folguista para o final de semana, afinal as mães precisam descansar, né? E tudo continua muito complicado! É a babá que falta, ou que não dorme em casa, ou que não se dá bem com a sogra… Mas uma coisa ninguém discute: quem manda na casa é o filho, afinal para ele são todas as coisas e tudo gira e torno dele. Ele é o reizinho. Tem que ter todas as suas vontades realizadas. Dorme na hora que quer, onde quer, com quem quer, come o que quer e quando quer, ganha o quer e, se  contrariado, esperneia, faz birra ou bate a porta do quarto.

As mães de minha geração têm certeza que os cercam com o melhor que podem oferecer. Com um ano e meio ou dois a criança já vai para a melhor escola. Ela precisa se socializar e ser estimulada. Muitas até para escapar da babá iletrada, optam por capacitar a criança deixando-a tempo integral na escola. Que bom, elas dizem… Lá elas recebem almoço, têm aula de informática, natação, inglês, fazem as tarefas e tem até a hora do abraço. Já chegam em casa prontinhas. Não é realmente uma maravilha poder dar o melhor para elas? E o que há de errado em terceirizar sua criação? Certamente há pessoas muito mais habilitadas para ficarem com elas, pensam as mães de minha geração.

Algumas se conformam afirmando que é isso mesmo, que é necessário cuidar da própria vida ou que é preciso dar o melhor para o seu filho e para isto é preciso ganhar dinheiro. “Ser só mãe é pouco para mim, uma mulher tão capacitada…. Definitivamente eu não nasci para ser só isso…” Pensam as mães de minha geração e ecoam as vozes mães, pais, chefes, amigas, vizinhos…

Reizinhos que governam e vão se transformando em pequenos ditadores. Mães com um discurso de amor e cuidado, mas incapazes de abrir mão de sonhos de consumo e realizações pessoais. Pais incapazes de oferecer uma segurança para o casamento. Um tipo de amor esquisito esse dessa geração. Um amor que entrega um pequeno ser para uma desconhecida cuidar. Um amor que não se importa de deixar um filho ser doutrinado pelo que a TV ensina. Um amor que despreza a infância, o brincar e substitui por atividades e horários. Um amor que parece nada suportar, nada sofrer, não ser paciente, procurar seus interesses. Um amor que parece não se importar com os valores, com o caráter, com o ser humano que está a se formar. Um amor de fim de semana, onde o discurso da qualidade surge para tentar aliviar alguns corações pesados. Mas como ter qualidade sem quantidade? Qualidade sem inteireza, com cansaço? Será sinceramente possível dar conta bem de tudo? A minha geração é de super mulheres que fazem tudo ao mesmo tempo. Continuo achando tudo muito esquisito…

Para mim, a maior tarefa, o maior projeto, o maior desafio que já enfrentei na minha carreira é este que hoje vivo: formar meus dois filhos a semelhança de Jesus, implantando um amor profundo por Deus. E para isto, todo o meu empenho, tempo, dedicação e atenção ainda parecem tão pouco.

Peço a Deus que continue mostrando a mim e as mães de minha geração que também acham tudo isso muito esquisito, a Sua vontade. Peço que nos encha de sabedoria, paciência, criatividade e um monte de outras qualidades, para poder curtir todos os momentos gostosos e tão prazerosos que desfrutamos, presenciando o desenvolvimento de um ser.

Obrigada, Senhor, pelo privilégio de pensar diferente, de ter um olhar crítico e ter a possibilidade de viver o que tenho vivido com um amor nada esquisito, um amor que vem de Ti.

Mônica Barros, administradora e publicitária, porém hoje, mãe em tempo integral.
Imagens coletadas pela web.

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Pela Manhã

Faze-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho por onde devo andar, porque a ti elevo a minha alma. Salmos 143.8

  • Bia Vasconcelos Norberto

    Como Deus nos fala não é mesmo? graças a Deus temos um Deus que se importa conosco e que não vive esse amor esquisito, de finais de semana. São tantas exigências que realmente fica impossível Ser Mãe, uma geração de mulheres bem sucedidas e lares destruídos. Muito triste. As crianças não precisam de tantas coisas, precisam sim da presença das Mães, nada substitui isso. Obrigada por compartilhar e me animar a perseverar.

    • É verdade, Bia, as crianças precisam de muito pouco, basicamente da mãe, e isto lhes está sendo subtraído pelos dias de hoje. Siga em frente, olhe somente para Jesus e deixe que ele cuidará de tudo mais. Abraços.