Quando um casal conversa tudo pode acontecer. De flores e bombom a lágrimas e caras fechadas, mas não lacradas.

Com as flores o romance, as cores dos concertos, os perfumes dos ajustes. Com os bombons a doçura dos abraços e afagos e se desejarem ainda mais. Das lágrimas dos arrependimentos e desejos de sempre acertar. Das caras fechadas da falta de entendimento ou, pior, da irritação.

“Como o ferro com o ferro se afia, assim, o homem, ao seu amigo.” Provérbios 27:17

Como grande e inseparáveis amigos o casal no decorrer dos anos estará se afiando, ou melhor ainda, se afinando. Há conversas que deixarão marcas profundas: perfumadas pelas descobertas maravilhosas e pelos sabores fortes da mudança. Crescerão e descobrirão que ainda têm muitas coisas que se conhecer. Serão necessários alguns momentos de ajustes, como violino com o violoncelo se afinam antes da apresentação. São marcos e marcas, mas nunca cicatrizes.

As cicatrizes são vestígios de estragos. Pontos de interrogação não transformados em um simples ponto ou dois pontos. Situações não resolvidas, não aclaradas. Podem se tornar em mágoas e amarguras. Podem atrapalhar um relacionamento até ao ponto da separação, pela cicatriz se tornar insuportável.

O afiar o ferro é o processo de se tirar as arestas, as pontas que atrapalham. Em um relacionamento é o retirar gradual de tudo que atrita e irrita ao outro. É o polir para um pleno funcionamento, onde cada um compreende mais e mais o outro. Assim como naturalmente os instrumentos com o simples transcurso do tempo desafinam, o casal também precisa de constantes afinações. O casal se ajusta para pensarem e falarem a mesma coisa, embora com nuances e timbres diferentes.

Para isso não se agride nunca. Não precisa ferir nunca. A ironia vem carregada de meias verdades com pontadas de agressão. O sarcasmos é como um tapa na cara. Da fraqueza de argumentos ou até mesmo de do autoritarismo, vem os gritos. Da incompreensão podem surgir os choros e a raiva.

Aproveite um momento inspirado para tocarem juntos a valsa do diálogo amoroso em todos os seus movimentos: allegro — ligeiro e alegre momentos de risadas, adágio — com palavras ternas e sensíveis, andante — num passeio vespertino elegante e até mesmo grave — conversa séria de ajuste.

Conversem e conversem!

Print Friendly

Related Articles

Sobre o autor Veja todos os posts Author website

Sérgio Avillez

Pastor que nas horas vagas gosta de fotografar o belo.
Oração: Minha necessidade, meu prazer!