Tudo preparado e bem arrumado: uma barraca, uma fogueira e, até vegetação de floresta. Vovó passou o dia colocando cada detalhe no lugar. As cadeiras em torno do colchão de casal rodeados com lençóis e cobertos com outro de elástico. Vasos de plantas em volta da entrada da barraca. E uma linda fogueira de tubos de papelão e celofane vermelho para aquecê-los e protegê-los de qualquer bicho grande.

A noite especial estava pronta. Vovó e seus netinhos passariam a noite acampados na floresta montada em sua  sala de estar. Que excitação. Que alegria. Um acampamento.

As crianças chegaram e logo mergulharam na alegria da vida e histórias da vovó. A fogueira os aquecia naquela noite escura iluminada só com velas. Foram tantas histórias que o neto mais novo ficou até assustado…

Mas Jesus estava lá, não tinha porque ficar com medo.

Quando ouço relatos como este logo surgem em minha memória os versículos em que Jesus, antes e depois de falar coisas muito sérias diz:

Naquela hora, aproximaram-se de Jesus os discípulos, perguntando: Quem é, porventura, o maior no reino dos céus? E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles. E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus. (Mt 18.1–4)

Como uma criança? Sim.

Normalmente escuta-se: “Ela é uma criança, como confiar?” Ou, “Ele não! Como se comprometer com uma criança?” Quantas e quantas vezes usa-se a palavra criança de forma depreciativa ou como infantilidade… Realmente uma criança é imatura. Mas tem algo muito importante que o Senhor determina que seja bem aprendido.

A credulidade. A fé.

A criança não fica complicando nada. Ela confia. A criança não fica argumentando. Ela obedece. A criança facilmente se dá a conhecer. A criança não está preocupada em ser politicamente isto ou aquilo. Ela é o que é. A criança vive intensamente o que se diz a ela (isto inclusive pode ser muito perigoso): na oração, no louvor, na proclamação, na santidade. A criança sabe que depende dos outros, não está querendo passar por cima de ninguém. Uma criança é simples. Ingênua.

Como é interessante esta passagem bíblica onde Jesus realça as crianças entre duas circunstancias muito questionadas hoje em dia:  o recasamento que é adultério e a dificuldade de um rico herdar o reino dos céus.

Para a criança é impossível ver os pais, uma unidade, divididos e separados. Para uma criança o dinheiro não tem valor, e sim as pessoas.

Será que temos recebido o reino de Deus como crianças (Lc 18.17)? Será que temos embaraçados alguns de entrarem no reino dos céus? Será que estamos indignando o nosso Senhor (Mc 10.14)?

Eu gosto de ser como uma criança.
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Sérgio Avillez

Pastor que nas horas vagas gosta de fotografar o belo.
Oração: Minha necessidade, meu prazer!

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