Meu ano passado foi… Bom, Rute nasceu em novembro e no começo de Janeiro mudamos cidade. Júlia, minha filha mais velha, tem sentido todas essas mudanças. Aparentemente está bem, consideramos um fato aqui e outro ali que precise de mais atenção, mas ela parecia bem.

Tem horas que ela surpreende com tamanha responsabilidade, cuidado e amor para com a irmãzinha. Tem horas que assusta, pois parece uma criança de 2 anos. É um paradoxo, altos e baixos. Quanto a adaptação na escola é a mesma coisa: tem horas que ela ama, tem horas que ela não gosta — inconstante como uma típica mulher… Sendo que na escola há algo um pouco mais sério, as meninas que vinham de outros anos juntas e fazem grupos, onde a Júlia só pode entrar se fizer o que elas querem.

Ok!! Contei isso pra contextualizar vocês. Agora relato os fatos dessa semana…

Aqui está muito frio, e a Júlia gosta de andar de pés descalços. Dei uma ordem para não andar mais descalça, mas sim, de meias e pantufas. Todos nós estamos resfriados e nos adaptando com o clima úmido.

Nessa fase, de 6 anos, é muito comum os pais relaxarem em coisas que consideramos “pequenas”. Daí tu falas uma, duas, três vezes… a criança não obedece, tu te estressas de ficar repetindo as coisas. E, quando vê, a mãe se encontra irritada, sendo ela a culpada: não está disciplinando toda a vez que a criança desobedece. Sempre cuidei muito pra não fazer isso, mas nesses últimos meses juntou muita coisa, mudança, bebê, escola nova… Demandas diferentes… acabei relaxando.

Resolvi recomeçar, e daqui pra frente por mais simples que tenha sido a desobediência ela vai ser corrigida.

Ok!! Então fiz isso.

Ela saltou do sofá pra cozinha e, quando olho, os pés descalços… com calma e tranqüilidade eu disse:

— Sobe pro teu quarto. E lá vamos nós…

Quando cheguei lá em cima ela estava aos prantos porque não queria ser disciplinada e aí ela começou a falar assim:

— Eu não sou obediente, eu sou bruta, eu sou desesperada.

E, eu… De onde essa guria está tirando isso??!!

No começo pensei: “essa guria está querendo me enrolar para não ser corrigida” … mas a coisa seguiu. E, como uma típica mulher, ela migrou de um assunto ao outro. Percebi que ela estava angustiada, aflita e confusa. Quando ela me diz:

— Mãe, eu sou uma desesperada” e eu disse:

— Filha, porque tu estás falando isso? Tu não és desesperada… Júlia disse:

— Mãe, eu sou sim!!! Eu tenho mentido paras minhas colegas. Eu sou uma desesperada!

— Como assim, mentindo pra tuas colegas? e Júlia disse:

— A Maria Eduarda e a Yasmim não querem ser minhas amigas e eu tenho muita inveja delas, daí eu disse pra Maria Eduarda que ela nem era tão má como as meninas diziam, só pra ser amiga dela. Mas ela é má sim!!! Eu menti mãe!!

Isso tudo aos prantos. Ela estava sofrendo com o pecado da mentira que estava guardando.

Ufa!! Respirei fundo e pensei: “Jesus, me socorre aqui”. E perguntei:

— Filha, porque tu estás me contando que mentiste paras tuas colegas?

— Para tu me corrigires.

Outro ufa!

Ficou nítido, todo o conflito interno dela, a rejeição das colegas, a atenção da mãe que diminuiu com a chegada da Rute, a mudança de cidade… minha filha estava sofrendo.

Teve uma hora que ela disse assim… ”era melhor eu não existir…” Respirei fundo, me grudei no Espírito Santo: “vamos lá”, pensei e falei:

— Filha, algumas coisas estão acontecendo sim, mas tem alguns pensamentos que tu estás falando e que são mentiras do diabo, ele sopra no teu ouvido e tu repete. Como por exemplo, que era melhor tu não existisse, que tu és desesperada, que tu não fazes nada certo, que tu és desobediente. Fui citando cada coisa que ela havia me dito e falei…

— Tudo isso é mentira… e o diabo nunca diz: tu és burra… ele diz: eu sou burra para tu repetires na mente e falares… — continuei,

— Tu és uma filha obediente, só que tu não estás pronta e por isso tu desobedeces ainda… Porque Adão pecou todo mundo nasceu estragado. Nós lutamos com isso e temos nos voltado pra Deus. Em muitas situações tu és uma filha obediente que traz muita alegria ao meu coração.

Fiz ela repetir uma oração rejeitando todas as mentiras do diabo em sua mente. Ela levou cativo o pensamento à obediência de Cristo e se sujeitou a Deus, resistindo ao diabo.

Em seguida impus as mãos sobre a cabecinha dela e comecei a repreender toda a mentira, todo sentimento de rejeição, todo o medo, todo sentimento de autocomiseração, de autoflagelo, de depressão…

Ela continuava chorando durante esse processo, mas o tipo de choro foi mudando… Começou com um choro angustiante e passou a um choro de quebrantamento. Quando eu acabei ela me disse assim:

— Mãe, eu quero fazer uma coisa, mas estou com vergonha…

— Fala filha, o que é?

— Eu queria dobrar meus joelhos e orar.

— Não precisa ter vergonha, a mamãe dobra os joelhos contigo, vamos juntas…

Ok! Aí ela começou a orar:

— Senhor Jesus, eu te entrego minha vida, eu confesso meus pecados, tira esse medo do meu coração, eu creio que tu morreste na cruz por mim e ressuscitaste, toma a minha mente. Eu quero fechar as portas do meu coração pro diabo… Não deixa que os demônios ponham medo no meu coração.

Mais um Ufa!!!

Ela orou isso, sozinha… Tem coisa que eu não sei “de onde” ela tirou… (força de expressão, porque eu creio que o Espírito Santo estava ali convencendo ela do pecado, da justiça e do juízo). O que mais me chamou atenção em sua oração foi quando ela disse: “eu creio que tu morreste na cruz por mim e que tu ressuscitaste!”

Eu fiquei pasma. Ela declarou com os lábios dela o que diz em Romanos 10.9 sem eu e o Dani, meu esposo, nunca termos ensinado isso: o conceito de que tu precisa confessar com a boca e crer no coração. Gente, nós ainda não tínhamos chegando nisso com a Júlia Fiquei pasma!

Glória a Deus! O poder que ressuscitou a Cristo dentre os mortos habita em mim e em você mamãe que pode estar aflita. Esse mesmo poder, o Espírito Santo de Deus está em nós e conosco, ele é  o Consolador, o Espírito da verdade que veio convencer o homem do pecado e glorificar a Jesus. Glória a Deus por sua obra que é perfeita.

Quando Júlia acabou a oração, nós estávamos sentadas no chão. As lágrimas corriam em meu rosto. A presença de Deus era perceptível naquele quarto. E ai ela diz pra mim:

— Mãe, eu estou me sentindo igual ao tio Luciano”

— Tio Luciano? como assim Júlia?

— Sim mãe, sabe aquele dia que ele se batizou?

Aí eu entendi… Quando ela presenciou o batismo do Luciano a leitura que ela fez foi de que o tio Luciano encontrou paz. A mesma paz que tava sentindo agora. E ela continuava chorando e perguntei:

— Filha, porque tu ainda chora?”

— Mãe, eu estou muito arrependida. O choro era de quebrantamento mesmo.

— Filha, toda vez que Deus falar contigo assim, confesses sempre teus pecados. As vezes não nos lembramos de uma vez de tudo. Mas, se tu fores andar de bicicleta ou fazer outra coisa e te lembrares de algum pecado que tu não confessaste, vem correndo confessar”. Terminei de falar e ela disse:

— Acabei de lembrar de um pecado mãe, no dia da aula de coral, eu coloquei o suco no lixo pra tu pensares que eu tinha tomado e tomei água. Eu não te contei porque eu não queria ser disciplinada.

Ok!!!

Depois disso tudo eu precisava fazer o que tinha me levado ao quarto… a desobediência dela dos pés descalços, então acabou essa parte e eu a disciplinei pelos motivos que haviam me levado ali. Foi super tranqüilo.

Só pra informar uma coisa que me esqueci de citar lá em cima, a Júlia vinha há duas semanas com um medo fora do comum. E depois que ela confessou os pecados ocultos, e se arrependeu…o medo foi embora.

Tenho dito pra ela que sempre que ela der lugar ao diabo, ele vem e traz tudo de ruim. Foi uma oportunidade de ensina-la de que ela precisa fechar as portas pro diabo, e andar na luz.

Olha gente, estou me expondo assim pra vocês porque vi toda a minha limitação e o poder de Deus agindo ao nosso favor. Glória a Deus porque não somos perfeitas e não temos como acertar sempre. Mas podemos escolher depender dele sempre.

Quem ouviu a palavra do Marcos Moraes sobre as Dez Virgens vai entender o que vou falar, e quem não ouviu, se puder escute.

Nossa botija sem azeite nos desqualifica como noiva e não participaremos das bodas se assim formos encontradas. Mas nessa situação o Senhor me disse…

Se tua botija estiver sem azeite, tu irás passar por situações como essas, onde as coisas acontecem debaixo do teu nariz e não perceberás o que de mal está se instalado no coração dos teus filhos. Mas se tuas botijas estiverem cheias de azeite, o Senhor nos dará discernimento, palavra de conhecimento, revelação do coração dos nossos filhos e toda a capacitação, toda a sabedoria pra conduzir a situação sempre na dependência dele.

O Deus, criador de todas as coisas, onisciente, onipresente, que sonda os corações dos nossos filhos, sabe o que se passa lá dentro, conhece os pensamentos e a mente deles… nos convida…

— Ó você aí mamãe, Ó você aí papai… que tem falta de sabedoria, peça-a à mim que eu te darei.

No restante daquele dia Julia vinha e me abraçava por trás (fez isso muitas vezes) enquanto eu lavava a louça ou fazia outra coisa na casa e me beijava, e dizia:

— Mãe, é tão bom confessar meus pecados. Senhor me lembrou do texto:

“E ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais”

Dava pra ver o alivio de minha filha, a paz sobre ela e a alegria dela em ter sido restaurada na presença de Deus. Ela pode experimentar as conseqüências ruins de encobrir seus pecados, e a cura de Deus na confissão.

“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.” Tiago 5.16

Gente, eu estou cada vez mais apaixonada por nosso Jesus, que alegria é viver a vida debaixo do governo dele.  À Ele toda a glória, porque Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas. Glória a Deus!!!

“Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.” Ec. 9.8

Vamos encher nossas botijas!!! Para as bodas com nosso amado, e porque nesse tempo aqui, já fará toda a diferença nas nossas vidas e na vida de nossos filhos.

“Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro.” Isaías 45.22

by, Ana Quéisa Wasen, mãe e fotógrafa, em Maio de 2010.

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Pela Manhã

Faze-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho por onde devo andar, porque a ti elevo a minha alma. Salmos 143.8