Numa resposta obvia e rápida iremos dizer nenhum, mas na pratica não é tão simples.

Muitas vezes me vejo em situações em que limito o amor. Não por falta de vontade, mas por precaução. Amo estar com crianças e passar uma tarde rodeado por elas. Mas como se entregar totalmente a um pequeno que tem uma doença de pele e está completamente sujo de catarro?

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Não por nojo, o que seria uma reação natural. Mas, num continente infestado pela AIDIS, as pessoas não vem com tarja de soropositivo, então a precaução básica é: não mantenha contato com fluidos. Sobre as doenças de pele, falta-m conhecimento médico para discernir se é  contagiante  ou não. Na duvida o que fazer?

Esta duvida surgiu na minha mente quando outro dia na porta da igreja uma menina “mzungu”, sentou quase no chão, abraçou e amou umas crianças que eram filhas de uma pedinte. Vi amor sem limite na sua ação. Sem medir, sem dosar, sem precaução. Sem pensar em sujeira ou doença. Percebi que não estou (estava?) pronto.

Creio que se pedir conselho, a maioria diria: se previna. Algo como: ame com cautela. Mas a duvida martela, será? Será que é isso que Deus espera?

Em 1 Coríntios 13 nos fala sobre amor e fui reler o texto. Na versão do celular (Almeida Revista e Corrigida 1995), o termo usado é “caridade”. O significado de caridade não é “cuidar dos pobres/desfavorecidos”? Checando no dicionário vemos que caridade é a ação ou resultado de fazer o bem a quem necessita (Aulete).No texto da Bíblia citado, o autor descreve amor/caridade:

“A caridade é sofredora, é benigna; a caridade não é invejosa; a caridade não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;”

Gostaria de destacar:

  • É sofredora — paga o preço, creio que se o preço é pegar a gripe daquele pequeno tossindo próximo ao seu rosto, o preço por ama-lo é adquirir a mesma gripe;
  • Não busca os seus interesses — não pensa em si mesmo em primeiro lugar, não pensa “e se…?”
    Aquele que ama se entrega, e se entrega por completo;

Paralelo a isso me veio a mente a vida do qual chamamos de Mestre, sim, Jesus. Sabemos e cremos que operou maravilhas e milagres, mas nunca tinha parado pra pensar no contexto. Andar esmagado por multidões que por saberem que poderia operar milagre lhe levava todo tipo de enfermo. Imagine a hora do rush numa plataforma de ônibus ou metrô, muitas pessoas ao seu redor, muitas delas doente e não só te esmagando como querendo estar perto. O quão exposto (em sua saúde e outras áreas) Jesus estava?

A Palavra fala em Atos 10:38 que:

“…como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude (poder); o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele.”

Jesus na sua exposição não dimensionava o quanto de si mesmo estava exposto, mas o quanto de Deus poderia apresentar. E fazia isso por fé, sabendo que Aquele que o enviou era (e é) o mesmo que completaria a obra em sua vida. E é o mesmo que habita em nós e nos capacita em todas as coisas, permitindo-nos viver e operar da mesma forma que Jesus.

Então volto para a pergunta inicial: Qual o limite do amor?

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Creio que, por fé, e somente através de Jesus e seu poder, podemos dizer com convicção: nenhum.

E “nenhum” em pratica significa não temer, por exemplo, abraçar e se doar a um mendigo de rua, carregar uma criança doente ou se aproximar para oferecer ajuda a um viciado.

Temos que viver essa verdade, no nosso dia a dia e de maneira pratica. Deus tem me chamado atenção esses tempos para a “ação do evangelho”, sair do comodismo do conhecimento intelectual e partir para o “ide”, para fazer.

Graça seja com todos.

Texto e foto por Kin Soares Martins

https://www.facebook.com/kim.s.martins

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Pela Manhã

Faze-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho por onde devo andar, porque a ti elevo a minha alma. Salmos 143.8

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