Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, achando- se ali a mãe de Jesus.
Jesus também foi convidado, com os seus discípulos, para o casamento.
Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse:Eles não têm mais vinho.
Mas Jesus lhe disse:Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.
Então, ela falou aos serventes:Fazei tudo o que ele vos disser.
Estavam ali seis talhas de pedra, que os judeus usavam para as purificações, e cada uma levava duas ou três metretas.
Jesus lhes disse:Enchei de água as talhas. E eles as encheram totalmente.
Então, lhes determinou:Tirai agora e levai ao mestre- sala. Eles o fizeram.
Tendo o mestre- sala provado a água transformada em vinho (não sabendo donde viera, se bem que o sabiam os serventes que haviam tirado a água), chamou o noivo
10 e lhe disse:Todos costumam pôr primeiro o bom vinho e, quando já beberam fartamente, servem o inferior; tu, porém, guardaste o bom vinho até agora.
11 Com este, deu Jesus princípio a seus sinais em Caná da Galiléia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.
12 Depois disto, desceu ele para Cafarnaum, com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias.
João 2:1-12

 

Recentemente comecei a pensar sobre o primeiro milagre realizado por Jesus: a transformação da água em vinho. Em especial, me detive em refletir sobre o vinho e seu processo de fabricação.

O processo de fabricação do vinho tem início com a preparação do solo para o plantio. Quando a terra está preparada de modo adequado, ela recebe as sementes. Estas são cuidadas pelo viticultor, até que cresçam e se tornem uvas. Mas o processo não termina aqui…

O viticultor cuida de toda a vinha, mas em um dado momento, ele colhe algumas uvas para serem transformadas em vinho. As uvas escolhidas são, primeiramente, esmagadas em um balde. Depois disso, elas passam por uma primeira decantação e fermentação, processo este que dura, em média, 15 dias. Após a primeira fermentação, o líquido obtido estará separado, ficando as cascas em cima e os caroços em baixo. Inclina-se o recipiente no qual se dá essa separação, deixando vazar lentamente o líquido através de um funil para um garrafão. Já no garrafão, tem início uma segunda fermentação (que dura em média de 15 a 20 dias), pois o líquido ainda tem um aspecto sujo e impuro. A fim de tornar o vinho mais suave, uma porção dele é aquecida em uma vasilha, dando muita espuma que sobe na vasilha (daí a necessidade de estar atento e controlar o fogo). Após mais alguns processos, é feita uma filtragem, que torna o vinho límpido e apto ao consumo.

Por que descrever o processo de fabricação do vinho de modo não tão breve assim?! Foi a mesma pergunta que fiz ao Senhor e Ele me respondeu de um modo interessante…

Na fundação do mundo, todas as coisas foram feitas por intermédio de Deus (Jo 1:3); foi Ele quem preparou o solo (Terra) para o plantio das sementes (nós). O Senhor não escolheu apenas algumas sementes para o plantio, mas sim todas elas. Ele cuidou, regou, deu um sopro de vida às sementes a fim de que elas se tornassem uvas.

Embora todas as uvas sejam igualmente cuidadas pelo viticultor, nem todas elas aceitam o cuidado/controle do viticultor. Estas podem ser chamadas de “uvas bravas” ou, de modo mais simples, pessoas rebeldes, que ainda não aceitaram o governo de Jesus sobre suas vidas. Desse modo, a colheita cabe aquelas uvas que aceitaram o senhorio do viticultor.

A fabricação do vinho envolve um processo de TRANSFORMAÇÃO. Sim, TRANSFORMAÇÃO! Uma uva não pode se tornar vinho se continuar a ser uva! Conosco acontece o mesmo! Não podemos andar nos caminhos do Senhor se não formos completamente modificados. E é isso o que Ele deseja: que sejamos moldados a imagem de seu Filho.

Assim como as uvas, somos “esmagados” constantemente. É um processo quase sempre doloroso e sofrido, mas que visa tratar o nosso caráter. Passamos também pela “decantação” e “fermentação” a fim de que o líquido obtido (novo homem), cascas e caroços (velho homem, velhos hábitos) possam ser separados. Mas mesmo após tal separação, permanecem sujeiras e impurezas (resquícios da velha vida) que precisam ser retirados.

Como parte do processo de feitura do vinho ou da formação do caráter de Cristo em nós, somos “aquecidos” no fogo, ou seja, passamos por tribulações. Estas têm o objetivo de nos fazer amadurecer, crescer em fé. Basta lembrarmos o que diz em Romanos 5:3-4:

E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança

Assim como as uvas são transformadas em vinho, também nós somos transformados, de glória em glória (2 Co 3:18), mediante o poder de Deus. Se para a obtenção do vinho é preciso um longo e minucioso processo, assim também é nossa santificação; por isso devemos sempre conhecer e prosseguir em conhecer ao Senhor (Os 6:3). E lembrem-se sempre: nosso viticultor (Jesus) está sempre no controle de todo o processo de transformação; e como me foi dito uma vez, Ele não se contenta com um vinho “mixuruca”, mas sim deseja vinhos da melhor qualidade; perfeitos.

Que possamos ser transformados todos os dias pelo Senhor a fim de que a plenitude da vida de Cristo se manifeste em nós!

Autor desconhecido
Foto Videira Mira, de Campina Grande.
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Pela Manhã

Faze-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho por onde devo andar, porque a ti elevo a minha alma. Salmos 143.8

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