Danilo & Nicole

Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, que não acordeis, nem desperteis o amor, até que este o queira.
Cantares de Salomão 8:4.

A noite não foi longa. Foram só 25 anos. Vinte e cinco anos que este presente de Deus, Nicole, esteve dormindo. Algumas pequenas agitações mas, tranquilamente, esteve em total submissão a nós, seus pais.

Todavia, ainda de madrugada, começou a se ouvir a sinfonia dos pássaros. O bem-te-vi assobiando o raiar do dia. A rolinha cantando a alegria do amanhecer. Até mesmo um galo cocoricando, é hora de trabalhar. Misturando a esses sons há o zunzum dos mosquitos que não deixam ninguém dormir.

ACORDAR!

O amor acordou de forma serena e suave. Mas acordou. Num retiro foi lançado um desafio: conhecer irmãos fora dos seus círculos. Estes dois toparam e se encontraram. Papo vai, papo vem, correndo aqui e “bicicleteando” ali, a amizade cresceu. O chá e o café se encontraram. Não se tornou um “chafé”, uma mescla, pois seguiram em santidade e honra devidas ao Senhor.

Veio o CAFÉ DA MANHÃ.

Sabiam da intenção, um ao outro, mas precisavam se aprofundar no conhecimento mútuo. Eu precisava conhecer este “gavião”, isto é, o Galvão que rondava nosso jardim. Nada melhor: Danilo, de muletas, foi parar em nossa casa por alguns dias. Assim poderíamos saber quem era este rapaz. Este simples e determinado jovem que desejava cortejar a nossa Nicoleta Borboleta. Comunhão, relacionamento, conversas, perguntas e respostas, muitas risadas, muletas escondidas, achadas e novamente escondidas. Foram bons dias.

Chegou o ALMOÇO.

Tudo ajustado e conversado conosco. E, no meio de uma linda festa em Acuípe, este corajoso Dan, ainda de muletas, se compromete com a Nic, na frente de todos. Foi um mês de surpresas, de encantos e criatividades. Comprometidos. Noivos. Amigos.

Com a aproximação da hora começaram os preparativos para o casamento. Orações e conversas, mais conversas e orações. Decisões, mais decisões. Em tudo viram a mão de Deus. Em cada detalhe: desde a reforma da casa que ganharam até cada florzinha de feltro desta festa. Deus está em cada ponto, em cada canto, em cada detalhe.

Com emoção vimos cada detalhe se formar, se ajustar. Sempre entregando tudo ao Pai. Até mesmo os atrasos e dificuldades foram encantadores — em tudo tinha e tem a mão do amado de nossas almas, Jesus. Tudo perfeito.

Para completar, ganhamos, como família, a amizade de uma outra linda família: os Galvão. A cada dia, nos tornamos como velhos amigos. Refeições programadas ou não. Não importa, somos uma só família: Avillez Galvão, que agora será selada com estes dois.

E, agora, chegou o JANTAR, esta celebração.

Mas, antes, desejo contar algo para você, Danilo.

Zoé e eu oramos e planejamos praticamente tudo. No tempo certo, após o primeiro filho, Estêvão, veio a gravidez da Nicole. Também planejada e desejada como o primeiro filho. Orávamos para que fosse menina. E, eu pedia que fosse bela como a mãe: uma orquídea. Rara. Muito rara. Amo o jeito da Zoé ser, pensar, agir e amar a Deus. Encanta-me sua iniciativa, seu serviço e sua dedicação. A criatividade sem fim. O coração aberto para receber outros é quase sem limites, é coração de mãe. Além de ser muito trabalhadora, está sempre preocupada com as coisas do Senhor.

Nasceu nossa menina, nossa florzinha, nossa borboleta, nossa Nicole.

Também desejávamos que Nic tivesse olhos de lince, fosse muito observadora e amasse a fotografia. Gostasse de uma boa conversa. Apreciasse o belo e o sensível. Acolhesse o diferente, o excluído. Desejasse conhecer e viajar muito… Coisas que tanto gostamos e apreciamos.

Desejávamos muito que ela fosse profunda em Deus e que tivesse muitas experiências com o Senhor. Com 11 anos, depois de ficar algumas semanas internada, com sério risco de vida, converteu-se ao Senhor. Com transbordar do Espírito Santo foi batizada nas águas no primeiro Acuípe. E está plenamente envolvida em “satisfazer àquele que a arregimentou” (2Tm 2.4), com o coração no ser e fazer discípulos para Jesus.
Com o aumento da família, muito oramos para nos tornar um. Ou como chamamos: a “Big Family”. E, com esses preciosos presentes de Deus, Estêvão, Nicole, Dilca e Lauro e, por algum tempo Samuel, houve muito desafio e folia, agito, bagunça e diversão, lágrimas e muitos mais sorrisos… Surge a colecionadora de sorrisos, Nic, uma filha que nós tem dado muita alegria!

Na adolescência, Nic começou a fazer traduções. Juntou seu dinheirinho e viajou. Sim, e como viajou! Mas não para só se divertir. Mas sobretudo para aprender e a servir. Nesta disposição viajou, por conta própria, para Moçambique para servir aos Boulhosas, e com eles aprender sobre Africa.

Desde o seu nascimento, orávamos para que o companheiro dela fosse um homem verdadeiro, temente a Deus, apaixonado pelo propósito eterno, honesto, hospitaleiro, sensível, amoroso, gentil, trabalhador, ao mesmo tempo ativo e calmo e sereno. E que curtisse, muito, todos os detalhes que nossa filha aprecia.

E, aí Danilo, você apareceu. Com muito mais do que pensávamos.

Você já reparou no olhar dela? Mudou muito desde que te conheceu. Um olhar brilhante, atento e romântico. Até parece que a permanente dor de cabeça dela, acabou. Se ela está agitada, contigo se acalma. Se está angustiada, ao teu falar tranquiliza. Ela fica segura contigo, na vida de Cristo que há em você.

Hoje passo às tuas mãos um dos meus preciosos presentes de Deus. Mas antes de fazer isto gostaríamos que soubesse quanto Deus, Zoé, eu e alguns irmãos trabalhamos duro para aprontá-la para você. Aqui vai um sério lembrete: não estrague com todo esse trabalho! Amém?

Bom, mesmo sabendo que já ouviram e leram muito, gostaria de deixar três palavras para vocês. Falo como pai e sogro, como amigo e pastor de vocês. Três palavrinhas que creio sejam da maior importância para todos casais, hoje e sempre. Sobretudo nestes dias em que há uma grande facilidade de conexão com os distantes, mas um distanciamento dos que estão bem perto. Há muita informação e muita confusão.

Mas são só três palavras: AMIGO, NÓS e REFÚGIO.

Amigos que conjuguem o nós, formando famílias refúgio.

Amigo.

Amigo é aquele que conhece muito bem o outro e, apesar disso, o quer muito bem. O amigo é paciente, o amigo é bondoso. O amigo não inveja a graça do outro, não se exibe do que consegue e tem, nem procura seus interesses O amigo não abandona, não esquece o outro. Não se ira facilmente nem se magoa com outro. O amigo se alegra com o sucesso e vitórias do outro. Vibra com as bênçãos do outro. Sofre com o outro. O amigo é como o amor, descrito em 1Coríntios 13.

O amor jamais acaba… 1Coríntios 13:8.

Nós.

Amando intensamente um ao outro conjuguem o nós. Eu e Você é diferente de nós. Eu eu Você são dois caminhos que se cruzam, até se entrelaçam, mas continuam dois. Nós somos um. Confunde-se um com o outro. No Eu e Você sempre há a possibilidade de um se esquivar: “Eu tentei, mas você…”

Nós somos um! Nossa vida. Nossos amigos. Nossa forma de ser. Nossa casinha. Nosso ministério. Nossa comida. Nossas alegrias. Nossos “micos”. Nossas angústias. Nossa oração. Nossos sonhos. Nossas realizações. Nossos desejos. Nossas lágrimas. Nossas viagens. Nossos filhos… Nós. Nós. Nós! Não sou mais eu nem você, somos nós.

Jesus nos deu o exemplo e orou por isso:

Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. João 17.20-21.

Refúgio.

Como amigos, conjugando sempre o nós, construam uma família refúgio, como podemos ler em Isaías 32.2:

Cada um servirá de esconderijo contra o vento, de refúgio contra a tempestade, de torrentes de águas em lugares secos e de sombra de grande rocha em terra sedenta.

Da mesma forma que o Senhor determinou que houvesse cidades refúgio, para colhimento de alguns, a nós, como sacerdotes que somos, nos cabe formar uma família refúgio.

Uma família amorosa pronta para acolher, com sacrifício ou não, o próximo, o excluído, o diferente, o marginalizado, o solitário, o sofrido, o estrangeiro, e, até mesmo, aquele que ainda não conhece ao Senhor. Não é para dar cobertura à rebeldia. Mas para acolher. Para que este, em segurança, venha a conhecer o Rei dos reis e deseje ser transformado à imagem e semelhança de Cristo.

A família segundo o coração do Pai é sempre inclusiva. Não deixa ninguém de fora. Não vive em panelinhas. Qualquer um que se achega ao Senhor, é bem recebido. Se o Senhor recebeu a cada um de nós como podemos escolher a quem receber?

A família refúgio, a família amiga chora junto, ri junto, vibra com o sucesso de cada um. Compartilha a vida de Cristo, sempre junto. Como amigos que são suportam até a última das consequência os erros dos outros. E, uma vez que alguém se arrepende, restauram os relacionamentos.

Vivam isso! Sejam isso! Façam de tal forma que seus filhos só queiram sair de casa para criar novos refúgio do Senhor.

Quanto a mim, bom é estar junto a Deus; no Senhor Deus ponho o meu refúgio, para proclamar todos os seus feitos (Salmos 73:28).

by Ana Ruth Pooter

Danilo & NIcole
Como amigos que são
Só conjuguem o nós.
Esqueçam do eu!
     Seja chá ou café,
     Seja rico ou pobre,
     Seja uma refeição ou um lanche:
Sejam refúgio para o próximo,
Esconderijo para o angustiado,
Refrigério para o sedento,
Sombra do Senhor, para o outro.
     Pois o Senhor…
     Com amor eterno os amparará,
     Em misericórdia os acolherá,
     Na paz e segurança os guardará,
     E a sua bênção estará sobre vocês.

Salvador, 23 de março de 2014
… sérgio de avillez …

Fotos by Ana Pooter

               

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Pela Manhã

Faze-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho por onde devo andar, porque a ti elevo a minha alma. Salmos 143.8